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Por dentro da Babbel: Bem-vindos à Alemanha, Refugiados

Posted on February 24, 2016 by

LAGeSo

Nos últimos dois meses, voluntários da Babbel frequentaram os centros de refugiados  LAGeSo (Secretaria de Estado da Saúde e Bem-Estar) da Bundesallee, uma rua em Berlim, para distribuir cursos gratuitos on-line de alemão. Sam Taylor falou com alguns dos participantes do projeto para saber mais sobre suas experiências.

“Mas por que você veio para cá?” – um rapaz sírio de uns vinte e poucos anos que chamaremos de Ahmed me perguntou. “Londres é tão mais bonito!”

“Bem…” – eu comecei a responder, mas parei. Eu tive essa conversa sobre Londres versus Berlim muitas vezes desde que deixei o Canadá, minha terra natal, e cheguei ao meu novo lar. Para ser franco, esse assunto já está muito batido.

Daí, eu finalmente entendi algo que eu pensei que já soubesse. Ahmed era como todo mundo. Lá estava eu, falando com um homem que havia passado por coisas que eu nem posso imaginar para chegar a essa sala de espera, e ainda assim eu estava começando a me cansar da conversa.

Claro que ele é uma pessoa comum. A única diferença entre essas pessoas que acabaram de chegar à Alemanha e nós é que elas tiveram que fugir r de uma zona de guerra. Eu e todos os meus colegas que narram histórias semelhantes sobre seu contato com nas últimas semanas sabíamos disso. Mas até que você conheça algum dos Flüchtlinge (refugiados), sobre quem você leu várias coisas no jornal, e converse sobre coisas banais eles, a ficha não cai.

“As coisas em Berlim são muito diferentes de Calais,” – explica Giulia Raffaello, assistente executiva da equipe de Produto & Engenharia da Babbel. Giulia já havia passado um tempo com refugiados no norte da França, o chamado acampamento “na selva”, e ela imediatamente percebeu a diferença entre essa situação e a de Berlim.

“As coisas são muito mais desesperadoras na selva. As preocupações mais angustiantes são coisas básicas, como comida, água e abrigo. Aqui, as coisas são muito mais estáveis – essas pessoas estão chegando ao fim do pesadelo.”

Os refugiados que chegam ao centro LAGeSo na Bundesallee já trilharam o difícil caminho até a Alemanha. Como o essencial da vida deixou de ser uma questão tão urgente, eles são capazes de transformar seus pensamentos para construir novas vidas – incluindo processos burocráticos e aprendizagem de nova língua. É aí que nós entramos.

Markus Witte“Não trata-se necessariamente de vida e morte” – diz Markus Witte, presidente e diretor executivo da Babbel. “Mas certamente, há para essas pessoas muito mais em jogo do que se preparar para as férias em um país com outra língua. Aprender alemão vai fazer uma enorme diferença na vida dessas pessoas. Eu acredito que os benefícios são para os dois lados. Desde o início, eu senti que nós somos altamente privilegiados de poder trabalhar com essas pessoas. Depois de conhecê-las pessoalmente, isso se confirmou – entender a situação realmente me ajudou como pessoa.”

Giulia, Markus e eu estamos entre dezenas de vonluntários da Babbel que passaram um tempinho no LAGeSo nos últimos dois meses. Nós fomos em duplas, duas pessoas para cada dia útil da semana, e distribuimos cursos gratuitos da Babbel para ajudar os refugiados a aprenderem alemão.

“Nós chagamo à Bundesallee de manhã cedo.” – conta Aria Jones (Junior Technical Product Owner). “Estava frio e já havia uma fila de pessoas esperando atrás de uma barreira. Ignorar a fila e entrar no prédio na frente deles foi um pouco desconfortável – foi como um lembrete pungente de nossa posição privilegiada.”

Com uma pequena ajuda dos oficiais de segurança, os voluntários passaram pelos corredores e escadarias do prédio e chegaram à “área de espera 2”, uma grande sala acarpetada cercando um pátio e área de fumantes um andar abaixo. Apesar das janelas ao longo da parede, a sala é iluminada, principalmente, por lâmpadas fluorescentes.

“Havia um misto de jovens e velhos, mulheres e homens,” – continua Aria. “A maioria das pessoas parecia exausta e entediada também. Nós fizemos um anúncio tímido em alemão e em inglês para que todos soubéssemos de onde éramos e o que estávamos fazendo. As pessoas pareciam interessadas, mas também meio confusas. Alguns gentis falantes de inglês intervieram para nos ajudar a explicar, e as pessoas logo começaram a se reunir em torno de nós.”

Em parte por conta dos problemas do Wi-Fi público, que causaram problemas com cadastramentos de contas na Babbel, os voluntários tiveram muito tempo para conhecer alguns refugiados que esperavam por seu atendimento.LageSo

“É triste não poder ajudar todos, ou levá-los comigo pra casa.” – diz Gaia do Serviço de Atendimento ao Cliente da Babbel. “Eu gostaria de ter mantido contato com algumas das pessoas que conheci. “Antes de ir lá, eu estava ansiosa. Você lê as notícias e vê coisas na televisão, mas você realmente não sabe o que esperar. Eu acho que levei cerca de uma semana para colocar todos esses sentimentos em ordem, mas olhando para trás agora… eu faria isso o dia todo, todos os dias, se eu pudesse.”

Arne Schepker, diretor de marketing e relativamente novo na equipe da Babbel, também fez uma visita ao centro: “É incrível como todos estão motivados a aprender alemão e a se integrar ao país. Eles receberam a oportunidade de começar uma vida nova e melhor, e eles estão agarrando-a com unhas e dentes. Toda pequena ajuda que podemos oferecer é aceita de bom grado.”

Quase todos que participaram do projeto até agora repetem esse relato. Em geral, quando você consegue explicar o produto a alguém, o benefício é imediatamente percebido.

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“As pessoas estavam um pouco céticas inicialmente,” – admite Arne Gerdes (Product Owner). “Eles pensavam que fôssemos da mídia ou que queríamos vender algo. Nem sempre é fácil convencer as pessoas que elas podem confiar em você, mas quando a coisa é esclarecida, elas se abrem. Todos ficaram muito satisfeitos com os cursos. Uma das pessoas até voltou para mostrar o quanto eles tinham aprendido.”

O gerente de produto Raphael Menezes visitou o centro juntamente com Gerdes e também acredita que derrubar a barreira do “o que você está tentando me vender?” é fundamental para ajudar as pessoas do centro. “Uma vez que as pessoas entendem, elas ficam incrivelmente gratas”, ele conta, “muitos deles até dizem ‘danke’, em alemão mesmo. Eu conheci um rapaz que esteve no centro pelo menos uma vez antes e falou com nossos colegas. Ele está usando a Babbel desde então, e está fazendo verdadeiros progressos – ‘legal demais’, ele diz.”

“Havia um monte de pessoas que queriam se cadastrar,” conta Lisa Rieh, assistente executiva do diretor e presidente da Babbel. “Mas um dos refugiados se ofereceu para ajudar os outros a usar o aplicativo. Eu também conheci um menino de uns 13 anos que começou a estudar na mesma hora. Depois de uns dez minutos, ele voltou para praticar o alemão dele comigo!”

Além de fornecer às pessoas as ferramentas necessárias para aprender uma nova língua, nós queríamos assegurar que eles fossem calorosamente recebidos, ou como o gerente de Relacionamento com o Cliente, Giovanni Perrucci, bem disse: “ser um rosto gentil e uma boa experiência para eles.”

“As pessoas reagem muito bem a gestos de boas-vindas.”-  diz Markus. “A simples intenção de alguém querer ir lá e ajudar já é muito valiosa.” Isso ficou muito evidente no início, durante minha conversa com Ahmed. Nos cinco minutos de conversa com ele, ficou claro que por mais útil que o curso de alemão pudesse ser, ele estava apenas feliz por ter uma conversa amigável com alguém. Esse sentimento é especialmente verdadeiro na história de um iraquiano que o gerente de marketing em páginas de busca, Pedro Werneck, relatou: “A primeira coisa que ele me disse foi: ‘English?’ Então, seguiu falando em inglês o seguinte: ‘Por favor, me ajude! Eu não quero ficar na Alemanha. Eu só quero os documentos, e aí eu posso voltar para casa! Por favor, me mande de volta para casa!’ Era a segunda semana depois chegar à Bundesallee, e ele estava começando a duvidar que o governo iria ajudá-lo. De toda forma, eu dei um vale da Babbel a ele e fiquei um tempo conversando com ele sobre minha experiência na Alemanha. Afinal de contas, como brasileiro, eu também sou um imigrante. No final, quando eu estava indo embora, ele foi chamado para ser atendido. Ele ficou tão feliz, que subiu as escadas correndo. Que mudança!”

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